Paulo Whitaker/Reuters
Aeronáutica recolheu destroços para investigar causa da queda
Os moradores do Boqueirão relataram um forte barulho de aceleração dos motores do avião, instantes antes de a aeronave cair, seguido de uma forte explosão. O avião seguia do sentido leste para o oeste, no alto do bairro, e a explosão quebrou vidros de prédios vizinhos em um raio de até 400 metros.
“Havia acabado de chegar em casa quando um estrondo quebrou a janela do meu apartamento. Foi uma gritaria geral na rua, muito fogo, gente chamuscada, vi pedaços de corpos e então começamos a socorrer quem ainda estava vivo”, disse o estivador Donizete Maguila Júnior, de 37 anos, que afirmou ter sido uma das primeiras pessoas que chegou ao local do acidente.
A Aeronáutica não confirma essas versões e só vai se pronunciar após o trabalho da equipe de peritos que já começou a investigar o acidente. A Anac informou o que tanto os pilotos quanto a aeronave estavam habilitados para voos e com a documentação em dia.
O impacto
A morte de Eduardo Campos, candidato pelo PSB à presidência da República, suspendeu o clima de acirramento que vinha marcando a atual campanha pela presidência, o maior desde a redemocratização do Brasil, em 1988. Todos os outros candidatos, da presidenta Dilma Rousseff ao ex-governador mineiro Aecio Naves, suspenderam a própria campanha, em sinal de luto.
Guga Matos/Jc Imagem/Estadão conteúdo
Faixa de luto em cartaz da campanha, nas ruas do Recife
Marcada pela perplexidade e por uma tragédia, sem comparação possível no passado da República brasileira, a campanha poderá tomar novos rumos. Para pesquisadores que acompanham a política e a história do Brasil,o destino da disputa eleitoraal pelo Planalto passa a depender de uma eventual substituição da candidatura do político pernambucano por Marina Silva, admitem. Mas mesmo esse cenário não é certo, reconhecem. “Equivalente a isso, só (a morte de) Tancredo (Neves, presidente eleito indiretamente em 1985, que, internado antes da posse, morreu sem assumir o mandato)”, afirmou a historiadora Maria Celina D’Araújo. A historiadora destacou que Campos era um candidato que poderia “fazer a diferença” no processo sucessório, viabilizando o segundo turno. “Era um fiel da balança importantíssimo”, disse. “Agora é difícil avaliar . O partido vai ter de discutir. Não sei se o PSB terá alguém para substituir.”
O cientista político Luiz Werneck Vianna disse não se recordar de episódio semelhante na República. “A eleição já está um desencanto generalizado”, analisou. “Sem uma candidatura influente no Nordeste, a campanha fica ainda mais desinteressante.”
A dor
O corpo do ex-governador e candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, será enterrado no mesmo túmulo do avô, o ex-governador Miguel Arraes, que morreu em 2005, no cemitério de Santo Amaro, na zona norte do Recife. Arraes, que inspirou e introduziu o neto na vida política, morreu há nove anos, também num dia 13 de agosto. Ainda sem confirmação de horário e dia do sepultamento, a informação foi dada pelo único irmão de Campos, Antonio Campos, em rápida entrevista, na tarde de ontem, na casa da família do candidato. “Perdi um irmão muito amado, um grande amigo”, disse ele, ao contar ter conversado com o candidato às 6h59, antes da viagem para o cumprimento de agenda em Santos. “Ele estava feliz com a participação positiva no Jornal Nacional”.
Reprodução/album de família
Morte interrompe herança de Arraes. Viúva fica com cinco filhos
Campos havia dado entrevista na bancada do Jornal Nacional na noite de terça-feira (12).
A viúva, Renata Campos, que era esteio e conselheira do marido, também compartilhou a satisfação dele com os amigos, familiares e políticos que a visitaram. “Fui lá e fiz um gol”, dizia ela, repetindo a frase dita por Campos ao comentar a entrevista, aos que lhe foram abraçar e prestar solidariedade. Mesmo muitas vezes entre lágrimas, ela se mostrava serena. Renata se encontrava com o marido no Rio. Enquanto ele foi para Santos, ela retornou ao Recife. “Não estava no script”, lamentava ela, enquanto recebia, de pé, com um abraço, cada um que chegava à sua casa, na Rua Luiz da Mota Silveira, no bairro de Dois Irmãos, zona norte do Recife, onde mora desde o casamento.
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